domingo, 20 de maio de 2012

GUERRA


Muita vez
Caio
Num remoinho
Perverso
De versos
Fúteis
Frágeis
Inconsistentes
Baratos
E
Dentro
Desse fosso
Me debato
Em busca
De introito
De ápice
De fecho
Que sejam
Adequados
A poemas
Inacabados

A cada
Ano-luz
Sói acontecer
D'eu encontrar
De imediato
O que procuro
Mas
Via de regra
Permaneço
Por séculos
E séculos
Tateando
No escuro


Ai
Sina deletéria
Daquele
Que entra
Em confronto
Com a poesia
(Porque
Poesia
Antes de ser
Paz na terra
É guerra)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

RECURSOS


Um curativo
(Gaze
Mertiolate
Esparadrapo)
No coração
Uma sutura
Aqui
Acolá
Em toda
A extensão
Da alma
Repiração
Profunda
(Tentativa
De calma):
Quem sabe

Pra arrastar
A vida
Via de regra
Mala
Sem rodinhas
E sem alça

domingo, 8 de abril de 2012

COMEÇAR DE NOVO


Dá-me
Pai
Que eu consiga
Alcançar
Minha candeia
Que teima
Em lucilar
Por debaixo
Do alqueire

Que
Eu coloque
E mantenha
A luzerna
Acesa
Sobre
O candeeiro

Que eu tenha
Claridade
Para os pés
Liberto
O luzeiro

Que
Hoje
Ainda
Eu cumpra
Nesta vida
Meu dia
Primeiro

Dá-me
Renascimento

quinta-feira, 29 de março de 2012

INVENTÁRIO


Pronto

Uma cor
Um perfume
Um bicho

Um ator
Um lugar
Um disco

Um sabor
Uma árvore
Um dístico

Um clamor
Um filme
Um místico

Um fulgor
Uma palavra
Livros

Deus
No qual
Acredito

Alívio:
Posso
Resvalar
Para
O abismo

( Em tempo:
Uma flor )

terça-feira, 27 de março de 2012

LIBERDADE


Mera
Alamanda
Amarela
Tem o condão
De
Transformar-me
A óptica
Da vida

Tímida
Apenas
Semiaberta
De forma
Casual
Pousada
Na calçada
Usando
De sintética
Linguagem
Fala-me
Em surdina:
Desperta!
Liberdade
( Quem
Por ela
Não aspira? )
É
Somente
Ser

É ter
( Nesta manhã
E sempre )
Mente ampla
Alma aberta
Liberada atmã
Saída
Adequada
Ao que possa
Empecer

quarta-feira, 21 de março de 2012

AS HORAS


Ai
Essas
Longas
Noites
Manhãs
E tardes
Vazias:
Paredes
Revestidas
De espelhos
Multiplicam
Infinitamente
Os dias

Tempo
Não preenchido
( Ogro
Agourento )
Debate-se
Raivoso
De nada
Me valendo
Atar-lhe
As mãos
Colocar-lhe
Peias:
Ainda assim
Me agride
Me pisoteia

terça-feira, 13 de março de 2012

INVASÃO



Não posso negar:
Costumam
Passar-me
Pela cabeça
Pensamentos
Deletérios

Alguns
Até
Se fixam
No espaço
Anteriormente
Reservado
Para
O otimismo

Ignorando
A tabuleta
De aviso
Chegam
Tomam assento
Espreguiçam
Esticam
As pernas
Apoiam os pés
Sobre
A banqueta
Pedem
Uma água
Um café
Um chá
Um suco

Pernoitam
Em sono
Profundo
Enquanto
Sequer
Conto
Carneiros
( Por não tê-los )

Chorosa
Padeço
No deserto
E eles
Prosperam
Em terra
Montanhosa