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Muita vez
Caio
Num remoinho
Perverso
De versos
Fúteis
Frágeis
Inconsistentes
Baratos
E
Dentro
Desse fosso
Me debato
Em busca
De introito
De ápice
De fecho
Que sejam
Adequados
A poemas
Inacabados
A cada
Ano-luz
Sói acontecer
D'eu encontrar
De imediato
O que procuro
Mas
Via de regra
Permaneço
Por séculos
E séculos
Tateando
No escuro
Ai
Sina deletéria
Daquele
Que entra
Em confronto
Com a poesia
(Porque
Poesia
Antes de ser
Paz na terra
É guerra)

Um curativo
(Gaze
Mertiolate
Esparadrapo)
No coração
Uma sutura
Aqui
Acolá
Em toda
A extensão
Da alma
Repiração
Profunda
(Tentativa
De calma):
Quem sabe
Dá
Pra arrastar
A vida
Via de regra
Mala
Sem rodinhas
E sem alça

Dá-me
Pai
Que eu consiga
Alcançar
Minha candeia
Que teima
Em lucilar
Por debaixo
Do alqueire
Que
Eu coloque
E mantenha
A luzerna
Acesa
Sobre
O candeeiro
Que eu tenha
Claridade
Para os pés
Liberto
O luzeiro
Que
Hoje
Ainda
Eu cumpra
Nesta vida
Meu dia
Primeiro
Dá-me
Renascimento

Pronto
Uma cor
Um perfume
Um bicho
Um ator
Um lugar
Um disco
Um sabor
Uma árvore
Um dístico
Um clamor
Um filme
Um místico
Um fulgor
Uma palavra
Livros
Deus
No qual
Acredito
Alívio:
Posso
Resvalar
Para
O abismo
( Em tempo:
Uma flor )

Mera
Alamanda
Amarela
Tem o condão
De
Transformar-me
A óptica
Da vida
Tímida
Apenas
Semiaberta
De forma
Casual
Pousada
Na calçada
Usando
De sintética
Linguagem
Fala-me
Em surdina:
Desperta!
Liberdade
( Quem
Por ela
Não aspira? )
É
Somente
Ser
É ter
( Nesta manhã
E sempre )
Mente ampla
Alma aberta
Liberada atmã
Saída
Adequada
Ao que possa
Empecer

Ai
Essas
Longas
Noites
Manhãs
E tardes
Vazias:
Paredes
Revestidas
De espelhos
Multiplicam
Infinitamente
Os dias
Tempo
Não preenchido
( Ogro
Agourento )
Debate-se
Raivoso
De nada
Me valendo
Atar-lhe
As mãos
Colocar-lhe
Peias:
Ainda assim
Me agride
Me pisoteia

Não posso negar:
Costumam
Passar-me
Pela cabeça
Pensamentos
Deletérios
Alguns
Até
Se fixam
No espaço
Anteriormente
Reservado
Para
O otimismo
Ignorando
A tabuleta
De aviso
Chegam
Tomam assento
Espreguiçam
Esticam
As pernas
Apoiam os pés
Sobre
A banqueta
Pedem
Uma água
Um café
Um chá
Um suco
Pernoitam
Em sono
Profundo
Enquanto
Sequer
Conto
Carneiros
( Por não tê-los )
Chorosa
Padeço
No deserto
E eles
Prosperam
Em terra
Montanhosa